HERMILO EM PALMARES E A “ANTOLOGIA GERAL” DA MATA SUL

 

 

 

Um telegrama de Hermilo me avisava que no próximo domingo ele estaria em Palmares. Falei a Elói Pedro da Silva, meu parceiro no projeto do livro POETAS DE PALMARES, estendi a notícia para Tininho (o maior admirador da obra de Hermilo que eu conhecia na cidade), a Afonso Paulins, de quem eu queria que Hermilo conhecesse os contos que escrevia, a Lael Borba, funcionário da Prefeitura, primo dele, a Givanilton Mendes, fotógrafo amigo, também parceiro dos projetos que eu podia empreender, e não lembro se cheguei a falar com o artista plástico Ângelo Meyer… para que a gente pudesse recebê-lo como um pequeno comitê amigo e admirador.

No domingo, encontrei Tininho já meio tocado por umas & outras. Ele já havia falado com Hermilo, um pouco mais cedo, aproveitando a passagem do escritor no Restaurante Progresso (tinha entrado no pequeno grupo onde Hermilo estava com dois conhecidos, direto, enxerido, dizendo abertamente que gostava dele e de tudo o que escrevia). Quando chegamos na casa onde Hermilo estava, a residência da filha do irmão, Miguel Pescador, em uma rua próxima da agência do Correio, área central da cidade, ele nos apresentou a Leda, sua mulher, e ao pintor José Cláudio, seu amigo do Recife, pra início de conversa. Em pouco tempo chegou Tininho, a conversa teve o rumo natural de umas safadezas de sala, conversa grossa, de adultos e adúlteros, naquela de dizer que costeleta era amortecedor de coxas, como revelou seriamente Hermilo à pergunta gozadora de Tininho. Ao lado de Hermilo, Leda, serena e acolhedora, e o pintor José Cláudio, todos atentos para os detalhes da história do trabalho da gente com a literatura em Palmares, das tentativas de produzir e levar a efeito sua divulgação nos limites estreitos da cidade, e mesmo fora dela, na vizinhança da região onde a gente vivia. Hermilo, compenetrado, introspectivo, de pouco falar e de muito querer saber, procurava também observar Miguel Pescador, seu irmão, sentado no pequeno muro na frente da casa, indiferente à conversa da gente no terraço, a cara na rua, sonhador… Hermilo não segurou a admiração, num gesto com o braço direito apontando para o irmão :

– É um poeta.

E a conversa rolou pela vida palmarense da gente, se tratando mais da antologia que eu preparava com os autores da Mata Sul de Pernambuco, um projeto da Editora Palmares que eu e Elói já estávamos desenvolvendo, na tentativa de mapear a produção literária das distintas regiões do Estado, e, a partir daí, dos outros Estados nordestinos. O livro seria publicado com o mesmo tipo de projeto promocional da antologia POETAS DE PALMARES : vendido antecipadamente nas cidades que tinham autores selecionados. Para isso, eu e o meu sócio Elói Pedro da Silva já preparávamos a campanha de assinaturas e aquisições nas cidades que iam aparecer no livro com os seus autores : Palmares, Catende, Ribeirão, Rio Formoso e Barreiros. A “ANTOLOGIA GERAL 1 – Mata Sul de Pernambuco” reunia poemas, contos, trechos de romance e teatro, crônicas. De Palmares figuravam Afonso Paulins, Hermilo, Eniel Sabino de Oliveira e eu; de Catende, a dinastia dos Soares, no dizer acertado de Mauro Mota – Pelópidas, Aristóteles e Bartyra Soares; de Ribeirão, o jovem poeta Antonio Olívio, descoberta da Editora; Múcio Moraes, poeta, de Rio Formoso, também descoberta da Editora; e o historiador Ruy de Aires Bello, de Barreiros.

Hermilo me disse que era lamentável a omissão do nome de José Cláudio, natural de Ipojuca, e eu lhe fiz ver que, infelizmente, desconhecia o trabalho dele. Mas tudo ia ficar bem, adiantou Hermilo, confessando que gostava de rever Palmares com a gente dentro dela, com o trabalho da gente dando vida nova à literatura da nossa região.

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